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Automação de sistemas de água prediais: do sensor ao dashboard

Rodrigo4 min de leitura

Sistemas de água prediais parecem simples: um reservatório inferior recebe água da rede pública, uma bomba eleva para o reservatório superior, e a gravidade distribui para as unidades. Na prática, garantir disponibilidade, qualidade e eficiência exige automação e telemetria. Este guia apresenta uma arquitetura do sensor ao dashboard, com escolhas de sensores, padrões MQTT, KPIs e um roteiro de implementação.

Arquitetura de referência

  1. Sensores & atuadores: nível, pressão, vazão (opcional), estado/falha de bomba, corrente elétrica.
  2. PLC/RTU ou gateway: leitura de I/O, histerese/antioscilação, intertravamentos, normalização de tags.
  3. MQTT: publicação com QoS 1, tópicos padronizados, mensagens retidas para estados.
  4. Broker: local e/ou nuvem, com TLS e ACL por tópico.
  5. Persistência: banco de séries temporais/relacional com retenções diferenciadas e downsampling.
  6. Dashboards & alarmes: visão executiva (disponibilidade, consumo, eventos) e visão técnica (tendências).

Sensores: prós e contras

Grandeza Opções Prós Contras Uso típico
Nível Boia (ON/OFF), Ultrassônico, Pressão hidrostática Boia é barata; ultrassônico sem contato; pressão é robusto Boia é binária; ultrassônico sensível a espuma/eco; pressão requer calibração Controle de partida/parada; tendência e alarmes
Pressão Transdutor 4–20 mA Confiável; diagnóstico de cavitação/restrições Instalação com tomada de pressão; precisa de compensação Rede de distribuição, sucção/descarga
Vazão Eletromagnético, ultrassônico clamp-on Gestão de consumo e perdas Custo maior; instalação/conduto reto Condomínios grandes, auditorias
Elétrico TC para corrente, contato de falha térmica Proteção e saúde da bomba Escala/config. adequadas Alarmes de sobrecorrente, runtime

Lógica no PLC/gateway

  • Histerese para nível: evita liga/desliga frequente (short cycling).
  • Intertravamentos: pressão mínima de sucção, válvula aberta, atraso entre partidas.
  • Detecção de falhas: sobrecorrente, falta de fase, motor não parte, seca (pressão baixa persistente).
  • Agregações: médias de nível a cada 10 s, contadores de partidas, runtime acumulado.
  • Store & forward: fila persistente durante perda de internet.

Padrões MQTT (tópicos e payloads)

Tópico: org/<site>/agua/<equip>/<variavel>

  • Estado da bomba (retido): org/acme/torreA/agua/bomba01/state{"v":1,"ts":1730162400000,"value":"on"}
  • Nível (m): org/acme/torreA/agua/reservatorio_sup/level_m{"v":1,"ts":1730162410000,"value":3.12,"unit":"m"}
  • Pressão (bar): org/acme/torreA/agua/rede/pressure_bar{"v":1,"ts":1730162415000,"value":2.8,"unit":"bar"}
  • Evento (não retido): org/acme/torreA/agua/bomba01/events/overcurrent{"v":1,"ts":1730162420000,"value":true}
  • Status do gateway (LWT, retido): org/acme/torreA/gateway/status{"v":1,"ts":1730162430000,"value":"online"}

Boas práticas: QoS 1 como padrão; retained apenas para estados/setpoints; versionar payload (v); manter metadados (unidades, limites, nomes) fora da telemetria em um catálogo.

KPIs e dashboards

  • Disponibilidade do sistema (% tempo com pressão ≥ limite na rede).
  • Runtime de bomba (h/dia), partidas/dia e ciclos por hora.
  • Nível do reservatório (tendência, mín/máx, tempo em faixas críticas).
  • Alarmes ativos (prioridade, tempo de reconhecimento, recorrência).
  • Consumo específico (kWh/m³) quando houver medição elétrica e vazão.

UX do painel: uma visão executiva com cartões de status (verde/âmbar/vermelho), KPIs e último evento; e uma visão técnica com tendências (nível, pressão) e tabela de eventos com filtros.

Alarmes inteligentes (reduzindo ruído)

  • Histerese em nível e pressão; evite thresholds simples.
  • Debounce em digitais (falha térmica, boia).
  • Janelas móveis para detectar tendência de esvaziamento.
  • Prioridades: crítico (parada do sistema), alto (falha de bomba), médio (nível baixo).
  • Playbooks: ação sugerida por alarme e tempo de resposta esperado.

Resiliência e segurança

  • Buffer offline no gateway, com reenvio idempotente.
  • TLS no broker; ACL por tópico; usuários separados por função.
  • LWT para status de gateways; estados de equipamentos como mensagens retidas.
  • Segmentação OT/IT e inventário de ativos (credenciais, firmware).

Custos sob controle

  • Publicar por variação (delta) ou em janelas (ex.: média 10 s) para reduzir tráfego.
  • Retenção: brutos por 7–14 dias; agregados de 1 min por 6–12 meses; diários para longo prazo.
  • Foque em KPIs acionáveis; evite coleções de gráficos sem uso operacional.

Checklist de comissionamento

  1. Instrumentação: verifique escala/offset, polaridade em 4–20 mA e vedação/posição de sensores.
  2. Lógica: teste histerese de nível, intertravamentos, tempo mínimo entre partidas.
  3. MQTT: valide tópicos, QoS, retained e LWT; execute teste de queda de internet.
  4. Alarmes: simule sobrecorrente, nível baixo prolongado, pressão fora de faixa.
  5. Dashboards: revise rótulos, unidades, limites e cores; crie usuários e permissões.
  6. Documentação: catálogo de tags, políticas de retenção, playbooks e contatos de plantão.

Exemplo de sequência operacional

  1. Nível do superior cai abaixo de StartLevel; PLC aplica histerese e liga bomba.
  2. Gateway publica .../bomba01/state = "on" (retido) e começa a enviar pressão/nível a cada 10 s.
  3. Se pressão de sucção < limite, intertravamento desliga a bomba e evento .../events/low_suction é publicado.
  4. Ao atingir StopLevel e estabilidade, bomba desliga; runtime e partidas são acumulados e enviados.
  5. Dashboard atualiza KPIs e alarmes; relatório diário consolida disponibilidade e eventos.

Conclusão: com sensores adequados, lógica robusta no PLC/gateway e um pipeline MQTT bem governado, é possível transformar sistemas de água prediais em operações visíveis, previsíveis e eficientes. Comece pelo essencial (nível, pressão, estado/falha da bomba), padronize tópicos e payloads, e evolua para KPIs e alarmes inteligentes. O resultado: menos emergências, mais disponibilidade e decisões baseadas em dados.

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