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Medição de nível: ultrassônico, pressão e boias — prós e contras

Rodrigo5 min de leitura

Escolher o sensor de nível certo evita alarmes falsos, acionamentos indevidos de bombas e estimativas ruins de estoque. Neste guia, comparamos ultrassônico, pressão hidrostática (transmissores 4–20 mA) e boias ON/OFF, com foco em aplicação predial/industrial leve (reservatórios, caixas d’água, poços de sucção).

Resumo comparativo

Tecnologia Princípio Vantagens Limitações Aplicações típicas
Ultrassônico Mede o tempo de voo do pulso até a superfície (distância → nível) Sem contato com o fluido; manutenção baixa; bom para tanques limpos Sensível a espuma, turbulência, condensação; zona morta (dead band); exige montagem correta Reservatórios atmosféricos, caixas superiores, tanques com acesso superior
Pressão hidrostática Pressão no fundo proporcional à coluna líquida (ρ·g·h) Robusto; independe de espuma; funciona em poços/tanques fechados Requer referência à atmosfera (respiro) ou compensação; sensível à densidade/temperatura Poços de sucção, reservatórios enterrados, tanques com turbulência
Boias ON/OFF Comutação mecânica por posição/nível Baixo custo; simplicidade; ótima para intertravamentos básicos Binário (sem valor contínuo); desgaste mecânico; suscetível a enroscos Controle liga/desliga de bombas; alarmes alto/baixo; redundância de segurança

Como escolher (guia rápido)

  • Precisa de valor contínuo (tendência/KPIs)? Prefira ultrassônico ou pressão. Se há espuma/turbulência, pressão tende a ser mais estável.
  • Apenas controle simples de bomba? Boias resolvem (com histerese no PLC). Use duas boias (liga/desliga) e, se possível, uma terceira para alto crítico.
  • Tanque profundo/poço sem acesso superior limpo? Pressão submersível (ou selo no fundo).
  • Ambiente com condensação no teto do tanque? Evite ultrassom ou adote aquecimento/defletor e stilling well.
  • Compliance/segurança exige redundância? Combine um transmissor contínuo (ultrassom/pressão) + boia de alto nível independente.

Ultrassônico: boas práticas

  • Montagem: posicione verticalmente, longe de chicanas e paredes para evitar ecos falsos; respeite a zona morta mínima do fabricante (distância mínima de medição).
  • Condições do meio: espuma/turbulência causam leituras instáveis; um stilling well (tubo calha perfurado) estabiliza a superfície.
  • Ambiente: condensação no transdutor suprime sinal; providencie ventilação/aquecimento leve ou defletores.
  • Configuração: aplique mapeamento de ecos falsos (false echo mapping) e filtro de média/média móvel no gateway/PLC.
  • Conversão: o sensor fornece distância; converta para nível com a geometria do tanque (h = H_total – distância) e, se necessário, volume (curva de linearização).

Pressão hidrostática: boas práticas

  • Referência atmosférica: transmissores vented (com cabo respirado) compensam variações barométricas. Se usar célula selada, compense no PLC.
  • Densidade/temperatura: a fórmula pressupõe densidade estável. Em água potável, a variação é pequena; em outros fluidos, adote coeficientes/compensação.
  • Instalação: evite bolsões de ar; use pocket no fundo ou sensor submersível suspenso longe da sucção da bomba. Proteja contra sedimentação e golpes hidráulicos.
  • Calibração: zere com tanque vazio (4 mA) e ajuste span com altura conhecida (20 mA). Documente a relação mA → nível.
  • Linearização para volume: tanques cilíndricos horizontais exigem curva; aplique tabela de pontos ou polinômio no gateway/DB.

Boias ON/OFF: boas práticas

  • Redundância: use pares (liga/desliga) com espaçamento suficiente para histerese hidráulica; adicione boia de alto crítico em circuito separado do PLC para segurança.
  • Proteção mecânica: evite enrosco em tubulações; use guias/cabos inox e contrapesos.
  • Elétrica: use entradas digitais com debounce e proteção; atenção à corrente de contato para cargas diretas.
  • Manutenção: inspeção periódica por incrustação/fouling; substituição preventiva em ambientes agressivos.

Erros comuns (e como evitar)

  1. Ultrassom encostado no teto ou sem respeitar zona morta → saturação. Reposicione e reparametrize alcance.
  2. Pressão sem respiro (ou respiro obstruído) → drift com clima. Use cabo ventilado íntegro e filtros dessecantes.
  3. Boia como único elemento de segurança → risco. Inclua redundância e teste periódico de funcionamento.
  4. Sem histerese no controle → short cycling da bomba. Implemente janelas de liga/desliga no PLC.
  5. Conversão distância→nível errada no ultrassom (altura total incorreta) → indicação falsa. Meça a geometria, valide em campo.

Integração e telemetria (MQTT)

Padrão de tópicos sugerido para nível contínuo e alarmes:

// Nível contínuo (m)
org/acme/torreA/agua/reservatorio_sup/level_m
{"v":1,"ts":1730166000000,"value":3.28,"unit":"m"}

// Estado de boia (retido)
org/acme/torreA/agua/boia_alta/state
{"v":1,"ts":1730166010000,"value":"on"}

// Alarme (não retido)
org/acme/torreA/agua/events/high_high
{"v":1,"ts":1730166020000,"value":true}
  • QoS: 1 por padrão; 0 apenas para streams efêmeros.
  • Retained: somente em estados (boias, .../gateway/status). Eventos não devem ser retidos.
  • Catálogo: mantenha unidade, limites e escala em catálogo de tags; mantenha payload enxuto.

Calibração e verificação

  • Ponto zero: tanque vazio ou nível conhecido; registre mA/valor lido e ajuste offset.
  • Ponto alto: altura medida (trena) ou régua de nível; ajuste span.
  • Verificação cruzada: compare leitura do sensor com régua/boias nos extremos; documente erros.
  • Estabilidade: avalie ruído (desvio padrão) em janela de 60–120 s; aplique filtro de média móvel no gateway.

KPIs e operação

  • Tempo em faixas críticas (baixo, alto, alto-alto).
  • Perfil diário de nível (mín/máx), ciclos/h de bomba e runtime.
  • Alarmes recorrentes e tempo até atendimento (SLA operacional).

Checklist de comissionamento

  1. Confirme geometria do tanque (altura útil, forma) e posição do sensor.
  2. Aplique histerese e debounce no PLC/gateway.
  3. Valide tópicos MQTT, QoS, retained (apenas estados) e LWT do gateway.
  4. Teste falhas: boia travada, eco falso, respiro obstruído, perda de internet (store & forward).
  5. Registre curva de calibração e procedimento de manutenção (limpeza, inspeção de cabos/respiradores).

Conclusão: não existe “sensor universal”. Em tanques limpos e acesso superior, o ultrassônico é prático e sem contato; em poços turbulentos ou com espuma, a pressão oferece estabilidade; para controles binários e redundância, boias continuam imbatíveis. A decisão correta combina ambiente, necessidade de valor contínuo, manutenção e governança de dados.

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